Diamantes

“O importante é conservar amizades desse quilate,
e não dessas que latem.”

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Distração

Uma coisa que sempre me intriga muito são essas placas, obrigatórias por lei, na porta dos elevadores: “antes de entrar no elevador, por favor verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”.
Ora, francamente… Se alguém é imbecil o suficiente para abrir a porta e entrar, sem perceber que o elevador não está lá, como podem imaginar que perceberia a plaquinha?!

Encanto

Você passou
grave e serena
(como convém à uma Deusa)
Passou…
Com os teus passos leves
e esses teus cabelos
deixando no ar, não um perfume,
mas um encanto,
mma mágica presença.
Enquanto todos se agitam
à sua dura indiferença,
os meus olhos se enternecem
e o meu coração se aquieta
como quem recebesse uma hóstia,
ou uma benção…

À Uma Menina com Nome de Flor

Quantas vezes já te olhei e admirei
como quem admira um jardim e seus encantos
alguns à mostra, bem visíveis
outros,  nem tanto.
E quantos momentos bons já tive
só em te ver passar…

Porque a sua presença torna tudo diferente
como se o mundo ganhasse um brilho novo
uma nova cor
como se enfeitasses, feito uma flor,
os lugares onde estás presente

Nem imaginas o quanto o teu sorriso
feito pétalas de flor se abrindo
torna lindo o Universo…
Tanto,
que a pobreza dos meus versos
não  consegue descrever

Se soubesses quantas vezes me encantei
ao cruzar os meus olhos com os teus
e quantos beijos infindáveis
quantas horas de deleite, imaginei…

E ao te ver assim tão longe
sinto falta do que ainda não tive
( e nem sei se um dia terei )
e invejo aqueles que, por sorte,
desfrutam do riso e dos olhos
da menina que eu sonhei

Houve um Tempo

“Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno”

(Paulo Leminski)

Houve um tempo em que eu olhava a vida com os olhos de poeta…
E a existência tinha em mim  um pulso, um sentido, um ímpeto
Todo o mínimo em mim, era o máximo
A pequena luz da menor estrela era o bastante
para iluminar todo o universo
E o menor segundo,
Era o que bastava para a minha eternidade.
Descobri o amor antes mesmo da amada.
Descobri a flor, o sol, o céu, a lua e as estrelas,
Descobri o mar…
Descobri os rios, os lagos, fontes, o horizonte
Conheci o vento…
Descobri o ar.
E conheci o tempo…
E vi, com ele, a vida se esgueirar..

Sem Sentidos

A tua saudade me atordoa…
Meu corpo reclama, o tempo todo
pelo seu.
Minhas mãos tateiam o vento
na busca vã pela tua pele.
Meus olhos, fitam ao redor
incrédulos de não te ver…
Meus ouvidos, garimpam no silêncio
ou entre os barulhos da rua
um sinal que seja
da tua voz.
De olhos fechados
procuro à todo custo
pelo teu cheiro….
E a minha boca,
ante a perplexidade de não te ter,
busca, em meio à minha saliva
algum resquício do teu gosto…

Volta logo…
Para que os meus sentidos
tenham sentido

Anjo I

Eu ontem conheci um anjo
de róseos lábios e olhos claros
e a pele branca como uma nuvem…
Trocamos poucas palavras
mas me tocou o coração
E quando se foi,
tão rápido quanto surgiu,
deixou em mim aquele espanto
e aquela estranha vontade de voar…

Desesperança

Hoje eu sou o poeta da morte
sem prumo, sem norte, sem rumo
sem fumo, sem sorte
a alma manchada de sangue
o corpo rasgado de cortes.
De dia, um rascunho de nada
de noite, uma sombra no escuro.
Vou aos trancos
procurando algum barranco
Aos prantos
me esquivando do futuro
pelos cantos
flancos, becos, muros
mendigando afeto
enquanto duro…

Relatividade

Einsten já provou cientificamente aquilo que, intuitivamente, eu já sabia: a verdade é relativa.
Muitos dos maiores conflitos e dilemas da humanidade, sejam eles políticos, sociais, filosóficos, religiosos ou amorosos, vem do fato de cada parte querer impor à outra a sua (legítima, porém não exclusiva) verdade.

Anjo II

Eu, hoje, beijei um Anjo
de róseos lábios…

Que estranho feitiço tinha
aquela boca
que eu nunca mais fui o mesmo…
Que estranho gosto aquele beijo
que me despertou desejos
nem um pouco angelicais

(Mas o que me pôs mais medo
é que não vi suas asas…)

Os Poetas

Os poetas
são os tradutores da Alma

– dos outros!

Pois a própria alma do poeta
divaga
sem calma
pelo oco escuro da noite.
E é por isso que eu leio tão desesperadamente os outros poetas…
Para que me traduzam!

Garimpo

Beleza (física) a gente encontra fácil por aí. Às pencas. Mas beleza forte, interior, iluminada, não.

Beleza assim (de verdade), é como pedra rara: às vezes a gente garimpa a vida toda e não encontra nenhuma. Às vezes, por sorte ou acaso, topamos com alguma, sem nem saber ao certo como. E ficamos, num ou n’outro caso, perplexos, estupefatos, diante da descoberta…

Desperdício

Me incomoda essa magia desperdiçada,
esse amor jogado fora
Pedra bruta rara, na cara
de quem por medo ou desdém,
ignora…

Me incomoda cada hora
Em que não passamos juntos
Cada beijo não dado
Cada vez que vais embora

Me incomoda essa lembrança,
Do que podíamos e não vivemos.
Causa em mim tanto espanto,
Saber que há tanto,
E sermos sempre tão menos …

Me entristece essa ternura
Alma pura de beleza
Se esvaindo pelo ralo
Luz, som, céu, frio e calor
Toda a cor da natureza

Mais ainda esse desejo
Fogo, faca, língua, beijo,
A pele tesa…
Me incomoda essa certeza
De não sermos mais que um sonho

Podermos tanto e sermos, sempre,
tão pouco…

Caminhos

A falsidade é uma das caracterísiticas mais tristes e deprimentes do ser humano..
A ingenuidade, uma das mais perigosas…
Quando se encontram pelo mundo, os dois, o falso e o ingênuo, é sempre o segundo,  quem leva a pior…
Pelo menos em tese.
Mas será mesmo…?
Levaria essa escolha, a de acreditar sempre, a um abismo maior do que a outra, a de enganar sempre?
Já vi muita gente cair e se machucar feio, por ser do primeiro tipo. Mas justamente por serem assim, nunca estão sozinhos… Há sempre um ombro amigo, um afago, um olhar carinhoso, um braço amigo ajudando a levantar.
Já os falsos, que enganam, mentem, traem ou trapaceam, esses um dia, em algum momento, também caem. E, mais do que o dano da queda, acabam amargando a dor pior da solidão.