Se Um Dia

Eu não sei o que vai ser de mim
se um dia você me olhar assim
talvez seja incêndio, fogo, chama
talvez seja chuva, barro, lama
talvez seja o fim
talvez seja drama
romance, suspense ou ação
mas se você me olhar assim um dia
não vai ter clima, tempo, força ou magia
capaz de conter o meu vulcão
e quando a coisa estourar
quero ver você aguentar
a minha lava
e a minha erupção

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ATRIZ

(Para Juliana Spadot)

Ela traz nos olhos mil perfis
na face oculta, mil disfarces
pensa, sonha, sente e diz
enquanto finge, ama, ilude e arde

Nem pecadora nem santa
ou as duas, e muitas mais
vivendo e sonhando quanto é capaz
é uma, e ao mesmo tempo tantas

Verdadeira, mesmo em partes
inteira, mesmo em pedaços
entregue ao destino traçado

De ter no palco o divino espaço
no corpo, seu templo sagrado
e como crença, a sua arte

Mulher Oceano

Que imensidão é essa que ela traz no olhar?
Que mistérios tantos sua face esconde?
De onde emerge tamanha vastidão?
Encará-la é como olhar o mar
E morrer de medo e de paixão
entre a vontade intensa de mergulhar
e o temor profundo de perder o chão
Sua dimensão é tanta
que assombra, asssusta, abala
comove, fascina, encanta
mas quem sou eu para possuir o mar?
se um dia as suas águas quiserem me banhar
hei de me lançar com devoção
ao naufrágio
ou à aventura de navegar

Sutil

Se a minha intensidade te assusta
o que custa
sou então menos eu
para que teus olhos não me fujam
para que meus olhos sejam teus
posso ser suave como o vento
enquanto, a esmo, tento
roubar ao menos
mais um beijo seu

O Amor e a Lua

Ando, vivo e até respiro sem ela
durmo sem a presença dela
acordo e convivo com a sua saudade
Meus dias, se não tem sol,
encontro na sua lembrança um facho de luz
Se são quentes
é nas suas memórias que me refresco

Sua ausência, sinto-a o tempo todo
E a todo instante, me acompanha essa presença
Se não física,
Química, orgânica, espiritual e esotérica.

Nunca soube bem o que é o amor
ou que é amar
Mas desconfio que seja algo próximo dessa distância,
que mesmo longa, e longínqua,
Apesar dos dias e das noites,
Apesar dos tempos,
continua a me acompanhar.

O Amor e a Lua II

Amo-a como amo a lua
como um poeta apaixonado
livre, louco, delirante
como amante embriagado

Amo com os olhos vidrados
com as veias pulsantes
com o pelo eriçado
amo com o peito rasgado
amo com o olhar distante

Amo com fome angustiante
e ao mesmo tempo saciado
amo-a inteira e exuberante
também às partes, fases, bocados
nova, cheia, crescente
amo-a mesmo minguante (ou meia)

Amo seu lado escuro
tanto quanto o iluminado
amo-a feito gente
amo feito bicho extasiado
como cão uivando na noite

Amo-a como um astronauta velho
amaldiçoado de saudade
e amo cada dia mais
mesmo que nunca mais
volte a tocar a sua face

Injustiça

A segunda-feira tem sempre aquele ar de “volta à rotina”, recomeço das obrigações e “estraga-prazeres” do final de semana. Particularmente, acho ela bastante injustiçada. Começar uma nova semana sempre é uma chance de recomeço, de melhorar, de avançar ou de reparar. A chance renovada de uma semana melhor.

Se sua semana e feita de uma rotina repetitiva, a culpa não é dela (da segunda), é sua. Planeje, almeje, sonhe, construa… Viva uma vida de objetivos, desenvolvimento e conquistas, não uma vida de rotina monótona. Ou faça com que sua “rotina”‘ seja exatamente essa: evoluir sempre.

A primeira segunda-feira do ano, então, carrega em si essa sensação potencializada. É o dia perfeito para o início, para o recomeço, para o salto, para o sonho, para a busca incessante pela vida.

Seja bem-vinda então,  a cada semana, sagrada segunda-feira! E carregue sempre contigo essa menina mágica, chamada  esperança!

O Teu Olhar

Os teus olhos, que quando olham me desnudam,
São deles meus maiores sonhos,
E meus mais puros segredos.
Deles são os meus enganos,
Meus temores, os meus medos,
Os meus momentos santos,
Os meus tormentos tantos,
Os meus mais loucos desejos.

Teu olhar que eu não esqueço,
Ainda nele canto e danço,
E Invento passos  a esmo…
E mesmo quando, esvaído em sonhos,
Ou em prantos, canso,  é nele que me aqueço…

O teu olhar que eu nem mereço
Tem sido o meu descanso,
O meu prumo, meu rumo,
Meu reencontro e recomeço.

É por isso, e muito mais, que te peço,
Se é que me tens apreço,
Por mim, por ti, por outros muitos,
E tantos que eu nem conheço,
Te peço:

– Não te apagues nunca dele…

Recado

Numa dessas manhãs, em meio ao caos da cidade, e minhas tantas obrigações, me permiti parar por um instante, para um café, em frente a um jardim, acompanhado da, sempre deliciosa, leitura de Mário Quintana…
Entre um poema e outro, que falavam de meninos, de pássaros e de lua, num suspiro (de olhos fechados), sinto o vento gelado e gostoso da manhã me tocando a face, como que a dizer: “veja como a felicidade pode estar nos detalhes, nas coisas simples”…

Em tempos de angústias, e buscas de todos nós, por grandes feitos e conquistas, entendi, e agradeci comovido, o recado dos anjos…